
A Tino Weber Queijaria Artesanal, situada na zona rural de Ouro Verde de Goiás, conquistou recentemente o Selo Arte, um certificado de identidade e qualidade que possibilita o comércio nacional de produtos alimentícios elaborados de forma artesanal. Trata-se de um grande passo para empreendedores que não produzem simplesmente derivados do leite, mas sim alimentos que carregam elementos de duas culturas, a suíça e a brasileira, mais especificamente a do Cerrado. Quem conta a história é a goiana Rosana Weber, esposa do suíço Tino Weber. “Tino já tinha trabalhado com maturação de queijo na Suíça e ele tinha esse sonho de fazer o produto aqui no Brasil”, diz a empreendedora. Decidiram estruturar a queijaria em uma terra de quase três alqueires.

Casal empreende e faz sucesso em terra goiana com produção artesanal de queijos suíços.Em uma pequena e funcional propriedade no município de Ouro Verde, o casal Rosana Weber e Tino Weber dedicam-se a escrever mais um capítulo de suas histórias, tendo o amor pela produção de queijo artesanal como o principal ingrediente. Tino, nascido na Suíça, migrou para Goiás para constituir sua família ao lado de Rosana. Foi em solo brasileiro que ambos puderam iniciar uma nova tradição na família: a de produzir queijos artesanais, com inspiração nas receitas suíças.

Tino Weber e Rosana Weber No início compravam leite de criadores da região para produzir os queijos, e os fermentos passaram a vir da Suíça, enviados por um amigo de Tino que trabalha na área. Só isso já era uma amostra da exclusividade do produto, já que há uma segurança no país no que diz respeito à fidelidade das receitas dos seus queijos.

Microrganismos importados, leite adquirido, e então começou a produção do camembert. Rosana explica que na terceira remessa já perceberam que o leite precisava ser de vaca Jersey, considerado o melhor dentre as raças leiteiras, pois possui maior porcentagem de proteína, cálcio, gordura e sólidos (menos água) que lhe confere melhor sabor e o deixa mais nutritivo. Além de render mais na hora de produzir o queijo, também é a2a2: isso significa que facilita a digestão para os intolerantes a lactose. O casal apresentou o projeto da fábrica na Agrodefesa, que foi aprovado, e deu início às obras. Foi quando perceberam que o queijo produzido variava de sabor a cada remessa devido ao leite comprado de outros criadores. Decidiram, então, criar as próprias vacas.

Rosana explica que a propriedade rural não tinha tamanho suficiente para uma produção de leite em grande escala. Foram atrás de tecnologia e na Embrapa descobriram capins como o Capiaçu e o Kurumi, mais volumosos e de crescimento rápido, que permitem a concentração de mais animais em espaço menor, principalmente por serem ricos em proteínas.

Segundo ela, com a produção própria de leite o queijo foi padronizado. “Quanto mais carinho damos às nossas vaquinhas, melhor é o leite, que reflete na produção do queijo”, diz.

Outra decisão dos empreendedores foi transformar a propriedade em um local de visitação. Mais de 500 mudas de árvores de espécies do Cerrado foram plantadas. “Queremos que as pessoas conheçam nosso trabalho com os animais. Saibam o que estão comprando, que tipo de queijo é, de onde vem, que conheçam realmente o cuidado que temos”, afirma Rosana.

Ela informa ainda que os visitantes podem ter contato com os animais, e assim ter uma prova natural de que são bem cuidados no dia a dia. “A ideia não é ter uma produção grande, mas algo mais reservado.

“Uma experiência completa que permite aos nossos clientes conhecerem o cuidado que temos em cada etapa da produção. E também impactar crianças que vivem na zona rural, para que vislumbrem uma forma de agregar valor ao trabalho no campo. Nós somos o exemplo de que a agricultura familiar é viável e muito saudável”, ressalta Rosana.



Eles optaram em incluir um programa de visitação à propriedade, promovendo a apresentação dos cuidados que são dispensados ao rebanho, a explicação sobre o processo artesanal de fabricação de queijo e um almoço aos moldes suíços, onde os queijos são degustados com os acompanhamentos similares aos oferecidos no país europeu.

O que a gente quer é um produto de extremo valor, para que quem consuma saiba que aquilo ali, além de ser tudo natural, sem conservantes, é um produto especial”, frisa a empreendedora.



A homenagem que o casal quis fazer à terra na qual eles tiram o sustento do dia a dia: o queijo Goiaz. A descrição diz que se trata de um queijo semiduro de textura macia, com sabores e aromas de coalhada e creme de leite fresco, com toque frutado que remete às frutas vermelhas do Cerrado. Trata-se de um queijo que leva quatro meses de maturação.

Entre as paisagens verdes e o clima acolhedor do interior goiano, está a queijaria artesanal de Tino e Rosana, um casal que transformou a agricultura familiar em um verdadeiro patrimônio cultural e gastronômico.

Apaixonados pelo campo, eles encontraram na produção de queijos de estilo suíço não apenas um sustento, mas também uma forma de compartilhar com os visitantes um sabor que carrega tradição, cuidado e muita história. Da ordenha das vacas ao afinamento dos queijos, cada etapa é feita com dedicação e técnicas herdadas da tradição europeia, adaptadas ao terroir brasileiro.

Mais do que uma queijaria, o espaço é um ponto de parada obrigatório na rota turística da região. Lá, o visitante encontra sabores autênticos, conhece o processo de produção e ainda vive um momento de conversa boa com Tino e Rosana, que recebem cada pessoa como se fosse da família.

Em cada pedaço de queijo, está a prova de que a agricultura familiar é capaz de unir culturas e encurtar distâncias: a Suíça está, sim, no Brasil — e mora no coração de Ouro Verde de Goiás.

Por: Paula Carvalho

