A blindagem automotiva segue em forte crescimento no Brasil e deve entrar em 2026 com foco em redução de peso, menor custo e mais eficiência. Só no primeiro semestre de 2025, foram blindados 22.425 veículos, reforçando uma frota nacional estimada em 425 mil carros protegidos. Em 2024, o setor bateu recorde com 34.402 unidades blindadas.

O principal movimento do mercado está na substituição gradual do aço por materiais balísticos mais modernos, como polímeros de alto peso molecular (UHMWPE), aramidas e polímeros de alta resistência. Esses compostos mantêm o nível de proteção, mas reduzem o peso do veículo, melhorando dirigibilidade, consumo de combustível e desgaste de componentes.
“Já existem alternativas ao aço que oferecem a mesma resistência balística com menos massa, o que impacta diretamente no desempenho do carro no dia a dia”, explica Flavio Galhardo, especialista em segurança e gestão de riscos com quase 20 anos de atuação no setor.
Blindagem mais acessível ao consumidor
Além dos novos materiais, o setor aposta na otimização dos processos produtivos, com maior automação e padronização. Isso deve reduzir o tempo de instalação e os custos finais para o consumidor. Outro fator relevante é o aumento da concorrência entre blindadoras e o ganho de escala na cadeia de suprimentos.
Também ganham espaço as soluções modulares, que permitem blindagem parcial ou por etapas, de acordo com o orçamento e o nível de risco do proprietário.
Demanda segue alta nos grandes centros
Mesmo com a queda gradual dos índices de homicídio no país, a percepção de insegurança ainda sustenta a demanda por blindagem, especialmente nas grandes cidades. O movimento também atrai novos perfis de compradores, além de frotas corporativas e, mais recentemente, veículos híbridos e elétricos.
Eventos do setor em 2025 já discutiram temas como blindagem para carros eletrificados, uso de grafeno e novos polímeros, sinalizando que a inovação será decisiva para ampliar o acesso à proteção veicular.

O que avaliar antes de blindar o carro
Para quem pensa em blindar o veículo, especialistas recomendam olhar além do preço. É fundamental considerar:
- Nível balístico, conforme as normas vigentes.
- Impacto no desempenho e no peso do veículo.
- Garantia e certificação da blindadora.
- Homologação do Exército Brasileiro, responsável por autorizar blindagens civis.
- Em 2026 existem mais opções de blindagem com materiais leves e modulares, possível queda no custo médio da instalação
- Crescimento contínuo da frota de veículos blindados, maior integração entre blindadoras, montadoras, fornecedores e o mercado de carros híbridos e elétricos. A tendência é clara, a blindagem automotiva caminha para ser mais eficiente, menos pesada e cada vez mais viável para o consumidor final.
Tudo que você precisa saber para manter um carro blindado sem problemas
Dirigir um carro blindado exige atenção a orientações de uso e manutenção, e também a comportamentos que podem reforçar a segurança

Da frequência sugerida para as revisões até a forma correta de limpar os robustos, porém sensíveis, vidros. De como evitar a temida delaminação até as dicas práticas para não ficar vulnerável no embarque e no desembarque. Confira, a seguir, o que os especialistas recomendam para quem tem um carro blindado na garagem.
Dinâmica veicular
É importante ter sempre em mente que o veículo carrega um peso extra que varia, em média, de 150 kg a 250 kg. Por isso, mantenha uma distância maior do carro da frente, já que a resposta de frenagem passa a ser mais lenta devido à inércia. Tenha cuidado redobrado ao passar por lombadas, valetas e buracos, para prevenir torções estruturais da carroceria.
Evite manobras bruscas em alta velocidade. Elas podem desestabilizar o carro, que já possui o seu centro de gravidade alterado por conta da massa dos pesados vidros. Além disso, acompanhe de perto o desgaste das estruturas mais demandadas nos veículos blindados, como os amortecedores, os pneus e os freios.
Manutenção periódica
Habitualmente, as revisões de blindagem seguem o cronograma das manutenções sugeridas pelas fabricantes e montadoras: uma vez por ano ou a cada 10.000 km. Algumas blindadoras, como a Concept Be Safe, oferecem a opção de enviar um especialista da empresa à própria concessionária, permitindo que ambos os serviços sejam feitos de forma concomitante.
Nessas paradas, são realizadas a manutenção automotiva das partes móveis, como os motores dos vidros e a limpeza das canaletas, além da lubrificação das dobradiças. Os técnicos também fazem a correção de eventuais desalinhamentos das portas e a inspeção minuciosa para verificar se há peças soltas, infiltrações ou trincas nos vidros.
Cuidados especiais com carros blindados
A chamada parte transparente da blindagem está entre as que exigem mais cuidados diários. A qualquer sinal de problema, deve ser avaliada por um profissional especializado. “O vidro é a parte mais delicada; para ter a resistência que se espera, ele não pode ser temperado e, assim, não resiste à abrasão”, afirma Mário Brandizzi, CEO da BSS Blindagens.

Fabricada com camadas intercaladas de vidro e polímero, a face mais próxima dos passageiros é sempre feita de policarbonato, projetada para barrar estilhaços. No lado interno, não se deve aplicar nenhum produto químico, utilizando apenas um pano suave para a limpeza. A parte externa também merece atenção constante. “Um parafuso de caminhão, que voa e bate, trinca o seu vidro”, alerta Brandizzi.
Pequenos riscos e trincas podem resultar, a médio e a longo prazo, em um fenômeno bastante comum: a delaminação. Ela ocorre quando as camadas de proteção se descolam e causam o surgimento de bolhas no vidro. Nesses casos, a peça geralmente precisa ser totalmente substituída.
Para evitar danos precoces, Guido Muzio Candido, pesquisador do Centro de Engenharia Automotiva da Poli-USP, desaconselha o uso de ventosas de apoio para celulares coladas diretamente no vidro. Por outro lado, as tags de acesso a pedágios e as películas de escurecimento (insulfilm) estão, segundo o especialista, liberadas.
O choque térmico é outro ponto crítico que pode trincar os componentes envidraçados. Evite deixar o veículo exposto ao sol forte para, logo em seguida, lavá-lo com água fria. Também é preciso cautela na hora de acionar o ar-condicionado dentro de um habitáculo que ficou horas exposto ao calor extremo. Ligue o sistema no nível mais fraco e vá aumentando o resfriamento aos poucos, até atingir a temperatura desejada.
Comportamento seguro
“Quando você tem um blindado, o momento em que está mais vulnerável é na entrada e na saída do veículo, já que dentro dele você está protegido”, lembra Rafael Heck, perito criminal do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP-SP). Por isso, além de sempre checar o entorno em busca de atitudes suspeitas, ele recomenda que o embarque não demore mais do que cinco segundos.

Com bebês e crianças, uma dica simples faz toda a diferença: coloque a criança na cadeirinha, entre no carro, tranque as portas e, somente após estar em segurança, ajuste o cinto de retenção infantil. Na hora de estacionar, o perito recomenda sempre entrar de ré nas vagas de edifícios, shoppings, supermercados e até mesmo em garagens residenciais. Isso permite mapear o ambiente ao redor antes de sair do veículo e facilita a fuga.
Em situações de trânsito lento, optar pelas faixas centrais costuma ser a melhor escolha. No entanto, se houver acostamento livre, Heck recomenda manter o carro próximo a ele, facilitando a evasão com o carro blindado em meio a eventuais situações de risco. Nos semáforos, a indicação é sempre parar a cerca de 1 a 1,5 metro da faixa de retenção e manter uma boa distância do veículo à frente.
“Se eu consigo ver o pneu traseiro dele, significa que posso jogar o volante tudo para a esquerda ou para a direita e arrancar sem bater no carro da frente”, observa o especialista em segurança automotiva.
Entretanto, se não houver chances de evadir com o veículo, Heck lembra que o sistema de intercomunicação instalado no carro blindado também pode ser usado para pedir socorro e alertar que está sendo abordado por um criminoso. A maioria dessas diretrizes de segurança vale para todos os motoristas, mesmo os que não dirigem carros blindados.
Por : Paula Carvalho
Fonte: Terra | QuatroRodas


